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Dissertação de Mestrado

A revolução portuguesa de 1974 não se esgotou nos tanques e nos cravos. No seu rasto, e no quadro mais amplo dos diversos movimentos sociais que então emergiram, surge a força dos trabalhadores unidos contra um cenário económico insatisfatório. Em múltiplos setores, a classe trabalhadora não se limitou a reivindicar. Assumiu o comando efetivo das unidades de produção, ao transformar as suas fábricas em laboratórios de democracia direta. Floresce, assim, o movimento autogestionário propondo e ensaiando, na prática, um novo modelo de organização social e económico em Portugal – uma experiência de respirar o novo oxigénio envolto em verdadeira democracia.


Este projeto parte da constatação de que a memória deste período se encontra, no panorama digital nacional, dispersa por diversas plataformas digitais, embora a contextualizem e tornem acessível de forma crítica e estruturada. Assim, desenvolve-se a primeira coleção digital dedicada a este fenómeno, ancorada na análise da imprensa periódica, com especial destaque para os jornais “Diário de Lisboa” e o “O Combate” no ano de 1974. A coleção digital rege-se pelo cruzamento teórico das Humanidades Digitais, dos estudos da arquivística crítica contemporânea e dos princípios da preservação digital, visando não apenas a salvaguarda de um património documental, mas a sua reativação crítica no presente.


O resultado não é um repositório de informação estático, mas uma coleção digital em movimento: um pórtico de entrada para a autogestão portuguesa que, ao conjugar a investigação histórica com as potencialidades das Humanidades Digitais, se assume como instrumento de combate à cristalização da memória e à descontextualização do passado. É o início da divulgação digital pública da memória da autogestão portuguesa no ano de 1974.

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